Editorial

Em pauta, a reforma da Previdência

12 de Fevereiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Um dos temas mais polêmicos postos em pauta pelo governo de Michel Temer (MDB) deve entrar em discussão na Câmara dos Deputados, no dia 19 deste mês: a reforma da Previdência. Atente-se para o fato, inequívoco, de que 19 de fevereiro é já a próxima segunda-feira.

A data foi trazida a público pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. E tudo diante de jornalistas, depois de uma palestra dada em Nova Lima (MG). A ideia de Meirelles é de que as discussões comecem no dia 19 e a votação ocorra no dia 20. Às pressas, claro. Para o governo, quanto mais rapidez e menos debate houver, melhor. Para o trabalhador, que sustenta o sistema previdenciário com as benesses inadequadas de alguns setores, importa levar a proposta à exaustão de opiniões.

Com a palavra, o próprio ministro Meirelles: "Alguns líderes parlamentares estão dizendo que, se não der, [o prazo] pode chegar até o fim do mês, mas este é o máximo. E nosso objetivo é votar no dia 19 ou no dia 20." O empenho do governo na reforma da Previdência é nítido. As propagandas, sobretudo na televisão, pipocam. E em horários tidos como nobres.

Em entrevista à Agência Brasil, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, fez coro à estimativa feita por Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder do governo na Câmara, de votar a reforma da Previdência até o dia 28 de fevereiro. Marun afirmou que as discussões em plenário permanecem agendadas para o dia 19. A votação, contudo, deve demorar mais. Para o bem do país. Independentemente do resultado, a aprovação ou não do tema, discuti-lo é o mínimo de garantia para que a democracia não se torne uma palavra vã, com sentido maleável, distorcido ao sabor dos ventos.

Meirelles, obviamente, cumpre seu papel de ministro da Fazenda ao afirmar que a reforma da Previdência é um imperativo, não uma opção. Como justificativa, afirma que hoje os gastos no setor previdenciário chegam a 50% do orçamento, com a perspectiva de, em 10 anos, alcançar a marca de 80%. Valeria a pena também colocar em perspectiva a cobrança da dívida de megaempresas. Se isso não ocorrer, a própria cobrança sobre as outras empresas, que pagam em dia a contribuição ao INSS, será sempre imoral.


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