Editorial

Ainda é cedo para comemorar

12 de Outubro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A pressa não pode se tornar a grande inimiga do Pacto Pelotas pela Paz, lançado pela prefeitura há dois meses com objetivos a curto, médio e longo prazo. É compreensível a euforia entre os integrantes do projeto. Mas, em 60 dias, um dos maiores problemas que atingem a sociedade hoje _ o medo causado pela insegurança - não desaparece num passe de mágica.

Primeiro vale resgatar o que o Diário Popular já destacou em outros momentos: o governo Paula Mascarenhas (PSDB) tomou para si um compromisso que, até hoje, nenhum prefeito havia abraçado e sempre foi repassado às forças estadual e federal. Decidiu atacar de frente pontos nevrálgicos de um sistema sustentado pelo crime, a violência, os abusos e o consumo de drogas. E todas as graves consequências resultantes desses pilares, como os homicídios e os assaltos.

Por isso, é aceitável que a prefeitura comemore os resultados iniciais e tente transmitir aos pelotenses a sensação de que a cidade melhorou. Porém, ainda estamos distantes de um cenário de tranquilidade. Muito distante. A população, a principal vítima, sabe disso. Afinal, "sensação" não é algo que se mude do dia para a noite e os bairros mais vulneráveis continuam desguarnecidos.

Aqui um exemplo de que há muito a ser melhorado. Na última sexta-feira, por volta das 8h30min da manhã, uma mulher foi atacada por dois jovens nas proximidades do cruzamento das ruas Andrade Neves e Argolo. A dupla investiu com fúria contra ela, apesar dos gritos de socorro. Várias pessoas presenciaram a cena, inclusive um jornalista do Diário Popular. Instantaneamente ao assalto, ele pegou seu celular e telefonou para o 190 da Brigada Militar. Três ligações foram feitas, às 8h28min, 8h30min e 8h31min - estão registradas no aparelho do jornalista. E em nenhum momento alguém atendeu ao chamado de ajuda. Por ironia, os assaltantes correram pela Argolo em direção à sede do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM).

São situações como essa que minam qualquer processo de mudança. Pois como crer em dias melhores se a busca simples e imediata por apoio não responde? Afinal, por que o 190 não funciona, como várias pessoas vêm relatando? Os integrantes do Pacto pela Paz sabem disso e já sentaram para conversar com a Brigada?

Embora dezenas de ações positivas no combate à violência tenham sido realizadas nos últimos dois meses - quase sempre com a ajuda da BM, registre-se -, a vida em Pelotas continua difícil. Se por um lado o Observatório Municipal de Segurança Pública celebra a redução de 22,9% no total de crimes praticados desde o começo de agosto, por outro há ajustes importantes a serem feitos.

Os esforços do Pacto pela Paz merecem aplausos, sim, e devem seguir em frente, com o apoio de todos, mas os pés precisam continuar no chão.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados