Morrer por morrer

17 de Julho de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A banalização da vida em Pelotas amedronta. Quase no encerramento do sétimo mês do ano, o município chega a 59 homicídios, um a cada três dias, média 55,2% superior ao mesmo período do ano passado, quando foi registrada queda de 27,5% nesse tipo de crime em relação a 2015.

Na reportagem especial publicada pelo Diário Popular na edição de ontem, a jornalista Giulliane Viêgas revelou que, mais do que apenas números - nesse caso, necessários para chamar a atenção da sociedade ao problema -, a questão ganhou um ingrediente a mais. Por aqui, as drogas deixaram de ser quase que exclusivamente o motivo da violência extrema. Os assassinatos passaram a ser cometidos também em situações banais, como discussões pessoais e brigas. O uso da arma ainda prevalece, mas começam a surgir também as armas brancas, como facas e objetos cortantes.

Ouvida pela reportagem, a professora de Direito das universidades Federal e Católica, Ana Cláudia Lucas, avaliou o cenário atual da cidade e apontou a naturalização da violência e a banalização da vida. De tal forma que, uma simples discussão pode ter consequências trágicas.

Não se deve fechar os olhos, é claro, às drogas. O tráfico e o consumo ainda estão por trás da maioria dos casos em Pelotas.

Os números podem colaborar ainda com o Poder Público para estabelecer algumas linhas de trabalho e políticas voltadas à segurança. Eles revelam onde os homicídios mais acontecem. Despontam os bairros Três Vendas, onde estão concentrados 33,9% dos crimes registrados até agora, e o Areal, com 18,6%.
Além disso, a violência está tirando a vida da população jovem de Pelotas. Entre as vítimas, 67,7% tinham idades entre 18 e 35 anos, e 8,5% eram adolescentes entre 15 e 17 anos. Do total, 96% dos mortos eram homens.

Não existe fórmula perfeita para terminar com a violência urbana, mas caminhos, já comprovados, servem de exemplo e inspiração. Investir mais na segurança é básico. Também apostar com força na educação e fomentar a geração de emprego costumam mostrar resultados rápidos. E há um trabalho a ser feito dentro dos lares, entre pais e filhos. Todos têm um compromisso.


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