Estilo
Crônica

Chasing cars

13 de Janeiro de 2018 - 10h06 Corrigir A + A -

Por: Leon Sanguiné - leon.sanguine@diariopopular.com

Essa semana surgiu no Twitter uma brincadeira que consistiu em elencar cronologicamente o que os usuários sonhavam ser ao crescer. Achei legalzinho e resolvi trazer para a coluna - não é porque eu não tinha assunto, Augusto e Max.

Aos 6 era ser jogador de futebol, não havia brinquedo para mim que não fosse bola, uniforme, goleira. Foi inclusive uma tristeza quando o pátio de casa deu espaço a um absurdo chamado piscina. Imagino a decepção da família quando, baixinho e canhoto, não me tornei habilidoso capaz de ganhar rios de dinheiro.

Aos 8 lia bastante. Harry Potter, principalmente. Quando minha tia me deu livro de folhas em branco batizado de Livro de Ideias, passei a criar histórias com letra feia e torta. Só que eu era criança, a maioria era plágio descarado. Mas tive bons momentos, como criar guerra que a professora achou ser real e ficou impressionada “pela riqueza de detalhes”.

Aos dez, Dr. Albieri clonava. Pesquisei genética, recortei muito jornal hoje desatualizado e tinha certeza de que seria médico. Outra decepção para a família, imagino.

O contato com os jornais me fez descobrir a reportagem aos 12. Aí passei a fazer textículos no estilo dos atuais Sensacionalista e Piauí Herald - claro, com a qualidade de alguém de 10 anos.

Aos 14 quis montar uma banda. O nome era Debulle, por causa de seita indonésia, e ela teve uma música: Sombrio foi composta com o objetivo de soar Nirvana. Acertamos no CPM 22 e tudo se acabou.

Com 16, passei a pensar mais seriamente em carreiras, a escolha caprichava na pressão. Sem grandes talentos, escolhi escrever e mesmo dentro do curso de jornalismo quis política, invetigação, cultura. Acabou que trabalho com tudo - tipo um Jorge Henrique do jornalismo, atuando mal em todas as posições.

Hoje, quase 26, dá para dizer que, naquelas, faço tudo: jogo bola toda semana, lancei dois livros, arranho meu baixo e ganho dinheiro com reportagem. O segredo é não se martirizar por não ter rolado. É brincar de lego a vida toda.

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