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Projeto de extensão da UFPel promove a construção de minijardins

Criatividade e imaginação estão envolvidas no desenvolvimento de minijardins, prática realizada coletivamente através de projeto de extensão da UFPel

06 de Janeiro de 2018 - 10h00 Corrigir A + A -
Grupo se encontra todas as quinta-feiras no Centro de Artes, tanto para produzir terrários quanto para realizar trocas afetivas (Foto: Paulo Rossi - DP)

Grupo se encontra todas as quinta-feiras no Centro de Artes, tanto para produzir terrários quanto para realizar trocas afetivas (Foto: Paulo Rossi - DP)

Dalva Lopes coordena o projeto que nasceu dentro do ateliê de cerâmica (Foto: Paulo Rossi - DP)

Dalva Lopes coordena o projeto que nasceu dentro do ateliê de cerâmica (Foto: Paulo Rossi - DP)

Dentro do ateliê, o tempo passa devagar. Requer calma e serenidade para manusear o barro, moldar formas, deixar secar, lixar a superfície, colocar para queimar e depois plantar sementes ou mudas. Todo esse processo resulta em pequenos terrários, construídos durante as tardes em conjunto do projeto de extensão Minijardins, vinculado à Câmara de Extensão do Centro de Artes (CA) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

A iniciativa surgiu em 2014 a partir dos frequentadores do ateliê de cerâmica da Universidade. De maneira espontânea, formou-se um grupo que apresentava interesse na constituição de vasos e na troca de mudas de plantas. Nesses encontros, a artista e professora aposentada Dalva Lopes sugeriu voltar a criação para jardins reduzidos. Descobriu, inclusive, o nome oficial: peinjing, de origem chinesa.

Diferente do bonsai, constituído por árvores individuais, o peijing costuma apresentar paisagens, com direito a várias plantas e até mesmo objetos como bancos, casas e pontes. Tudo em miniatura. Desta forma, o grupo passou a ser formado por criadores de pequenos universos.

Fertilidade de ideias
Com o aporte da professora Marlene Ramirez, do CA, Dalva pôde organizar o projeto dos minijardins. A essência deste fazer artístico combina o cuidado com as plantas, a técnica da cerâmica e, também, uma organização visual e estética.
Cada pessoa coloca sua subjetividade no jardim. Conforme o acadêmico e bolsista do projeto, Bruno Schuch, esses pequenos mundos são constituídos à imagem e semelhança de seu criador. O processo, complementa Dalva, desevolve a criatividade e a imaginação quando se propõe a criar um mundo de magia e encantamento.

Mesmo buscando um certo jogo entre os elementos, o processo é considerado livre dentro da oficina. “Existem, na internet, várias ‘regras’ para se fazer um minijardim, mas aqui não há limites. Não queremos enquadrar a criação”, comenta a professora. Por isso, o grupo deixa de lado os recipientes de vidro, mais comuns na prática dos minijardins, e confecciona os seus próprios, através da cerâmica.

Ao lado da natureza
Qualquer objeto com parte côncava pode ser utilizado para o cultivo de plantas, seja uma bandeja, um vaso ou até uma escultura. Os participantes valem-se da experiência com a argila através do seu manuseio, desenvolvimento de um formato e, por fim, a queima em fornos artesanais e convencionais.

O próximo passo é acomodar as mudas, plantando-as de maneira a obter-se um harmônico jardim. A partir desses arranjos, é possível observar como funciona um ecossistema, pois estes servem como uma versão em miniatura da biosfera. Poder acompanhar essas transformações da natureza exige vários cuidados.

A troca de informações sobre botânica é uma constante dentro do ateliê. Quanto mais tempo cultivar as plantas, mais bonito fica o jardim. As suculentas são as mais utilizadas, conforme o rápido brotamento e o fácil cultivo. Cactos também. Já os musgos precisam ser mantidos úmidos, o que exige borrifar água nos dias quentes. Também é preciso retirar constantemente as folhas secas.

Vivência integrada
Tão importante quanto criar jardins é a convivência do grupo. No interior do largo galpão, com janelas para a área verde do campus, vive-se outro ritmo perante o frenético cotidiano urbano. O projeto trabalha com a a desaceleração, buscando a calma, a serenidade e o contato com o outro. É, também, uma maneira de estar junto.

A estrutura do projeto é altamente colaborativa, evidenciando o aprendizado em conjunto, as trocas solidárias e a vivência afetiva. “Jardins e pessoas demandam cuidado. Então enquanto cultivamos nossos jardins cuidamos uns dos outros”, comenta Dalva.

Os participantes compartilham não somente plantas, ensinamentos de cerâmica e laços afetivos. Toda quinta-feira é realizado um café da tarde, com direito a pão feito na hora. “É para tornar a convivência ainda mais gostosa”, comenta a acadêmica em Artes Visuais, Berenice Bailfus, 29, responsável pela massa caseira, trabalho manual assim como o manusear na argila.

Proposta em conjunto
O grupo reúne participantes desde os sete até os 80 anos. A artista plástica Flávia Duval de Azevedo, de 69, está entre eles. Veio de Porto Alegre e faz dois anos que integra o projeto. Não falta um encontro. Já fez diversos trabalhos em cerâmica e adora presentear os amigos. “Me transporto quando estou produzindo”, comenta.

Já a comerciante Silvana Souza, 46, conta que se inspira através de fotografias de minijardins. “A gente vê na internet e fica a fim de materializar”, revela. É frequentadora do grupo desde 2015. Só não comparece toda quinta-feira porque os compromissos profissionais não deixam. “O trabalho aqui é de muito amor envolvido”, resume.

Mostra e participação
Com periodicidade anual, o grupo realiza exposições da prática realizada em ateliê. A primeira ocorreu no próprio Centro de Artes, em 2015; no ano seguinte os minijardins ocuparam o Espaço de Arte Daniel Bellora; e no último mês de dezembro foi no bistrô da Secretaria Municipal de Cultura (Secult).

O projeto atualmente reúne cerca de 30 pessoas e encontra-se aberto para novos integrantes. Os encontros ocorrem toda quinta-feira, das 14h às 21h, no atelier de cerâmica do Centro de Artes da UFPel (rua Alberto Rosa, 63).

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