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Além dos casarões

Projeto consolidado em âmbito local, Dia do Patrimônio promove edição comemorativa na qual estimula o debate sobre as riquezas de cada localidade de Pelotas

12 de Agosto de 2017 - 12h00 Corrigir A + A -
Conversas periódicas buscam convidar a população  para o diálogo (Foto: Divulgação)

Conversas periódicas buscam convidar a população para o diálogo (Foto: Divulgação)

Para o secretário de Cultura Giorgio Ronna: “O patrimônio do futuro está sendo gerado hoje” (Foto: Infocenter Moizés Vasconcellos)

Para o secretário de Cultura Giorgio Ronna: “O patrimônio do futuro está sendo gerado hoje” (Foto: Infocenter Moizés Vasconcellos)

Interior dos prédios históricos recebem atividades artísticas (Foto: Arquivo DP)

Interior dos prédios históricos recebem atividades artísticas (Foto: Arquivo DP)

Mais do que visitas guiadas, o evento oferece ampla programação cultural (Foto: arquivo Jô Folha)

Mais do que visitas guiadas, o evento oferece ampla programação cultural (Foto: arquivo Jô Folha)

As portas da história estão abertas. São 30 endereços, entre praças, casarões, museus e igrejas, que receberão visitantes locais e de outras cidades no próximo fim de semana. Pelotas comemora, de sexta-feira (18) a domingo, a quinta edição do Dia do Patrimônio, projeto que aproxima a comunidade e promove uma reflexão sobre o passado, o presente e o futuro do que nos une enquanto identidade cultural.

Desde a primeira edição, em 2013, houve uma adesão imediata da população à proposta. O engajamento, segundo o secretário de cultura Giorgio Ronna, significa um amadurecimento e uma compreensão dos pelotenses quanto ao patrimônio da cidade. “A ideia foi abraçada, e esta é a razão de seu êxito”, acredita.

O evento, em sua curta trajetória, já foi reconhecido com duas grandes condecorações. Além de garantir o Prêmio Cultura FAMURS na categoria Museus, patrimônio e memória em 2015, o Dia do Patrimônio foi um dos destaques do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade no ano passado. Sagrou-se vencedor enquanto iniciativa de excelência em promoção e gestão compartilhada do patrimônio cultural.

O secretário salienta que a edição contou com mais de 300 trabalhos inscritos e ofereceu uma projeção nacional para a ação realizada em Pelotas. A quantia recebida de R$ 30 mil está sendo destinada à criação de uma sala de acolhimento para crianças e idosos na própria Secretaria de Cultura (Secult). A inauguração está prevista para o segundo semestre de 2017.

Debate em conjunto
Muito se discutiu sobre patrimônio durante estes cinco anos. A edição de estreia abordou justamente o que seria o conceito matriz do evento, enquanto as realizações subsequentes versaram sobre a herança cultural africana (2014), a Pelotas das águas (2015) e a ocupação feminina (2016). Para cada tema costuma-se traçar um olhar panorâmico, observando com atenção tanto o passado, no resgate de hábitos, quanto as transformações de agora, refletindo sobre questões contemporâneas capazes de afetar o que está por vir.

Nesta edição comemorativa, o Dia do Patrimônio avançou a discussão sobre um assunto recorrente na gestão municipal, a descentralização. Sob o título de Territórios daqui: identidade e pertencimento, o trabalho foi voltado para mobilizar as comunidades no reconhecimento das suas riquezas patrimoniais. A Secult realizou visitas semanais aos bairros, acompanhadas de lideranças comunitárias, e ainda desenvolveu palestras abertas ao público.

Os encontros chamados de Conversas do Dia do Patrimônio ocorreram desde o dia 17 de maio até a última quarta-feira no Casarão 6, onde os pesquisadores trataram de localidades como Z-3, Dunas, Passo dos Negros, BGV, Três Vendas, Fragata, Simões Lopes, São Gonçalo, Quilombo do Algodão e Colônia de Pelotas.

Tema presente
O objetivo, de acordo com os organizadores, é promover o reconhecimento e dar voz para essas comunidades. “O patrimônio do futuro está sendo gerado hoje”, afirma Ronna. O conteúdo desenvolvido nas conversas aparece nos postais temáticos, nas atividades realizadas durante o fim de semana e também na Revista do Dia do Patrimônio, que reúne artigos científicos.

Vale ressaltar que nem todas ações relacionam-se diretamente com o assunto proposto. Ronna esclarece que não há restrição quanto o teor das atividades. Praticamente todas as inscrições são aceitas. “O tema é norteador, a fim de fazer pensar, refletir, problematizar”, argumenta o gerente de Livro e Leitura da Secult, Lúcio Xavier.

O pensamento voltado à educação patrimonial reflete também no trabalho realizado junto às escolas da rede municipal de ensino. Desde a terceira edição, o evento passou a incorporar a sexta-feira na programação para atender este público. “Nada mais fértil do que educar as primeiras gerações”, comenta Xavier.

Propagação
O Dia do Patrimônio, na verdade, é uma grande provocação para estreitar laços com o patrimônio da cidade. “Prova disso é que não se encerra após dois, três dias”, afirma uma das responsáveis pela organização, Diele Thomasi. O projeto reverbera nas semanas seguintes através da contínua procura pela visitação aos locais históricos. O tema da edição também segue alimentado em mais ações que estimulam o debate. 

Um dos objetivos do evento é fazer com que as pessoas adentrem lugares que passam despercebidos durante a rotina corrida do dia a dia. Mesmo aqueles que já são conhecidos podem ser revisitados, pois certamente apresentarão novidades como uma atividade cultural em seu interior.

A cada edição percebe-se o aumento do número de visitantes de outras cidades. Inclusive, municípios da região já sinalizaram interesse em promover edições locais do evento. Todas as atividades são gratuitas, com exceção da visita ao Theatro Guarany e os passeios da Terra Sul.

Cultura por todo lado
Um dos destaques da programação, com ligação íntima como as diferentes faces da cidade, é a exposição Margens - Diferentes formas de habitar Pelotas, que reúne no Casarão 2 projetos vinculados ao curso de Antropologia da UFPel. Os banners evocam questões como trabalho escravo, os terreiros religiosos, a região do Passo dos Negros e os profissionais do sexo.

Já no Casarão 6 duas mostras ocupam-se de apresentar a zona rural do município: Museus da Colônia: intérpretes de uma paisagem de imigração e Saberes e sabores da Colônia. Visitas in loco são oferecidas pela agência de turismo Terra Sul, como um passeio pelos pessegueiros floridos.

Também estão previstas atividades especiais na localidade: um jantar em comemoração ao Dia do Vinho na Comunidade Sant’Anna, na sexta, e o tradicional mocotó servido pela comunidade do Quilombo do Algodão, sábado, das 14h30min às 23h30min. Também no sábado tem um city tour acompanhado pelo arquiteto Fábio Caetano, com saída da praça José Bonifácio às 9h.

O domingo reserva o lançamento do Roteiro Noturno de Turismo e Gastronomia em um evento de rua, das 14h às 21h, na frente do Theatro Guarany, onde serão comercializados produtos dos bares da cidade, além de apresentações musicais.

Ainda no domingo Sirley Amaro e Dilermando Freitas comemoram dez anos de vivência griô em atividade que inclui cortejo, relatos, tambor de sopapo e roda de brincadeiras, às 14h, na praça da Cohab Lindóia.
A programação completa do evento será encartada na sexta-feira no Diário Popular e também estará disponível no site da prefeitura (pelotas.com.br) e nas fanpages da Secretaria Municipal de Cultura - Pelotas RS e do Dia do Patrimônio - Pelotas RS.

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