Perigo

Pelotas registra 33 focos do mosquito Aedes

Centro é a localidade com maior número de registros, 13; com a chegada do frio, expectativa é de que haja redução no número de pontos

16 de Maio de 2018 - 22h34 Corrigir A + A -
Equipe planeja terminar limpeza da antiga fábrica de papel na sexta-feira (Foto: Jô Folha - DP)

Equipe planeja terminar limpeza da antiga fábrica de papel na sexta-feira (Foto: Jô Folha - DP)

Ao longo de todo o ano passado foram identificados 38 focos de Aedes em Pelotas. Já neste ano, mesmo ainda em maio, o número chega a 33. O Centro é o local com mais registros, somando 13 focos até agora. Entre as ações de combate ao Aedes empregadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), estão as visitas domiciliares rotineiras, a aplicação do fumacê em regiões de maior risco e a limpeza da antiga fábrica de papel, local considerado um potencial criadouro do mosquito.

Além dos mosquitos encontrados na forma imatura (ainda em fase de larva ou pupa), foram identificados quatro mosquitos em forma adulta, já alados e podendo transmitir doenças. Com o frio, a expectativa é de que o surgimento de novos focos diminua, já que o Aedes é próprio de regiões tropicais e tem pouca resistência a baixas temperaturas.

Na tentativa de evitar a criação de focos do mosquito, a Secretaria Municipal de Saúde realiza visitas domiciliares rotineiras e aplicação de larvicidas em áreas de risco. Após a identificação dos focos, o trabalho concentra-se na Pesquisa Vetorial Especial (PVE). A PVE consiste na visitação de todas as casas localizadas em um raio de 300 metros a partir do foco identificado e na aplicação do "fumacê" com o objetivo de eliminar os mosquitos já adultos.

Depois do Centro, com 13 focos, o Barro Duro é o local com mais criadouros de mosquito, somando sete. Também foram encontrados focos nas seguintes localidades: Santa Terezinha, Arroio Fragata, Simões Lopes, Porto, Cohab Fragata, Três Vendas e Colina do Sol.

A única forma de prevenir doenças como dengue, chikungunya, zika e febre amarela é deixar o mosquito transmissor longe. Para que isso aconteça, a Vigilância Ambiental ressalta a importância de manter casas e quintais livres de potenciais criadouros. "Os lugares de maior risco sempre serão aqueles onde há lixo ou água parada", destaca Verônica Goularte, bióloga do Programa de Combate ao Aedes da Vigilância Ambiental.

Dois tipos de Aedes
Em Pelotas, foram identificadas duas espécies de Aedes: aegypti e albopictus. Até agora, são 18 registros de focos de aegypti, 16 de albopictus e um de ambos. O Aedes aegypti é um conhecido transmissor de doenças como dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana. Quanto ao albopictus, não há registros de pessoas infectadas por ele no Brasil, embora seja considerado um potencial transmissor das mesmas doenças que o aegypti.

Enquanto o Aedes aegypti é característico de regiões urbanas com maior densidade populacional, o albopictus adapta-se melhor às áreas silvestres e cobertas por vegetação. Segundo Verônica, o trabalho de eliminação às duas espécies é o mesmo. "É necessário ficar igualmente atento", explica.

Ação de combate na antiga fábrica de papel
Desde o dia 7, uma força-tarefa trabalha na limpeza da antiga fábrica de papel, no centro da cidade. O local é considerado um grande potencial criatório do Aedes, já que foram encontrados focos do mosquito no espaço e também em casas nos arredores. A equipe de limpeza da Secretaria de Serviços Urbanos e Infraestrutura já retirou do espaço mais de 70 caçambas de entulho. Já a SMS realiza a PVE e também aplica o "fumacê", buscando eliminar os mosquitos já alados.

Os moradores dos arredores da fábrica declaram-se satisfeitos com as medidas de combate ao mosquito, embora preocupados com o descarte de lixo feito de maneira errada. "As pessoas vão ali e jogam todo tipo de lixo. Eu fico triste com isso. Quem faz isso deveria ser até multado", desabafa a dona de casa Lurdes Schmechel, 69 anos. O auxiliar de serviços gerais Neimar Silva, 54 anos, concorda: "Cada um tem que fazer a sua parte", diz.

A previsão é de que a limpeza seja finalizada na sexta-feira (18). Enquanto isso, a Secretaria Transportes e Trânsito alterou o trajeto dos coletivos que circulam por aquela zona e solicitou às empresas para que não deixem ônibus estacionados na área. Também orienta-se aos motoristas que fechem os vidros do carro ao passar pelos arredores da antiga fábrica.


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