Proteção animal

Cães com feridas abertas são liberados pelo Canil Municipal

Um dos animais faleceu em função de complicações no período pós-operatório

16 de Maio de 2018 - 19h26 Corrigir A + A -
Cães foram devolvidos sem os pontos e sem que as cirurgias fossem cicatrizadas. (Foto: Tatiele Vaz - Arquivo Pessoal)

Cães foram devolvidos sem os pontos e sem que as cirurgias fossem cicatrizadas. (Foto: Tatiele Vaz - Arquivo Pessoal)

"Corria sangue quando a gente tirava eles do caminhão", conta a protetora de animais Tatiele Vaz. Ela foi a responsável por reunir 25 cachorros em situação de rua no bairro Sítio Floresta para que fossem castrados no convênio firmado entre a ong SOS Animais e a prefeitura. Os animais foram soltos três dias depois das cirurgias com os pontos retirados e as feridas abertas pelo Canil Municipal, ligado à Secretaria de Saúde (SMS). O período pós-operatório necessita de sete a dez dias, com medicação, para a cicatrização completa. A prefeitura admitiu o erro e abriu uma sindicância para investigar o caso. O veterinário responsável foi afastado preventivamente até que tudo seja esclarecido. O caso deve ser levado ainda nesta semana para o Ministério Público.

Um dos cães faleceu, segundo a Ong, devido a complicações da cirurgia e a falta de cuidados no período pós-operatório. Os animais foram operados pela SOS na terça-feira, dia 8. No mesmo dia, como é de praxe, os bichos foram transportados até o canil com as devidas prescrições e medicamentos. Pelo tempo estimado, os cachorros deveriam ser liberados somente amanhã, dia 18. No entanto, na sexta-feira, dia 11, o caminhão voltou ao bairro para devolvê-los para a rua sem os pontos e com as feridas abertas.

Além da morte, escreveu a organização nas redes sociais, também preocupava os protetores as infecções e possíveis contaminações de outros animais. A publicação da organização denunciando o fato possuía,até a publicação desta matéria, mais de 1,1 mil reações, 426 compartilhamentos e 222 comentários. A maioria era de indignados com a situação. Na própria publicação na rede social, a prefeitura respondeu que o responsável técnico fora afastado e substituído por outro, além de abrir uma sindicância para investigar a situação.

Tatiele mora num terreno com diversas casas - a de sua família e cerca de dez casas para cachorros que adota e protege no seu pátio. Conta que é protetora desde quando era criança. Ela reuniu todos os cães na quinta-feira, dia 3. Ela conta que eram um total de seis fêmeas e 19 machos. Um deles não foi castrado por ter outras doenças, que estão sendo tratadas no Canil.

"Ocorreu um erro"
"Ocorreu um erro no Canil que a prefeitura assume", fala por telefone o diretor em vigilância da saúde da SMS, Franklin Neto. O responsável foi afastado, confirma, e lembra que o trabalhador tem todo o direito de se defender. Franklin informou que um novo veterinário já estava sendo buscado e medidas sendo tomadas para o fato não se repetir. Entre as precauções, está a criação de protocolos com prazos, por exemplo, a serem seguidos pelo canil. Outro trabalhador do canil que pediu para não ser identificado por não ter permissão para dar entrevistas, comentou que alguns cães já estavam sendo recolhidos de volta para o canil para contornar a situação.

"A gente afastou o responsável técnico. Vão ser criados os protocolos que determinarão os prazos", reforçou a secretária Ana Costa. "O afastamento não refere, por si só, culpa ou responsabilidade. Acho que a conduta da secretaria quando tem qualquer dúvida, é fazer a investigação adequada e técnica, e é isso que será feito", complementou.

Nota divulgada pelo SOS Animais
A diretoria e equipe de castrações da SOS Animais tomaram conhecimento, hoje pela manhã, de um fato gravíssimo ocorrido com cães que foram encaminhados pelo Canil Municipal para castração conosco na última terça-feira, dia 08 de maio. Os cães, recolhidos no bairro Sítio Floresta com o auxílio voluntário da protetora Tatiele Vaz, foram transportados pela equipe do Canil Municipal até nossa sala cirúrgica na terça-feira (08/05) pela manhã, onde foram submetidos regularmente às cirurgias de castração. À tarde, como de costume, foram retirados de nossa Sala Cirúrgica pela equipe do Canil Municipal, com as respectivas prescrições e medicações para tratamento individual, e transportados até as dependências deste último, onde deveriam permanecer realizando o pós-operatório/tratamento até a próxima sexta-feira, 18 de maio, quando estariam aptos a terem os pontos externos retirados e a serem devolvidos ao local de captura (bairro Sítio Floresta). Ocorre que, diferentemente do esperado, os cães foram devolvidos à rua pela equipe do Canil Municipal na última sexta-feira, 11 de maio, todos já sem os pontos externos (24 animais, entre machos e fêmeas), retirados muito antes da completa cicatrização da ferida cirúrgica, o que ocasionou o óbito de uma das fêmeas e risco iminente de infecção em todos os demais cães, que precisaram ser emergencialmente acolhidos em casas de voluntários do bairro para que não ficassem na rua com as feridas cirúrgicas abertas, expostos a todo tipo de risco, às intempéries, etc. A veracidade dos fatos foi constatada "in loco" por membros de nossa diretoria e equipe, que comprovaram a origem dos cães através da leitura dos microchips e coletaram material comprobatório para buscarmos junto às autoridades competentes a apuração das responsabilidades por esse fato lamentável e de profundo desrespeito pelos animais e por nosso trabalho.

 


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