Surpresa

Visita ao cemitério acaba em processo

Homem tenta visitar o túmulo da mãe e descobre que o corpo havia sido exumado

16 de Maio de 2018 - 10h29 Corrigir A + A -
Antônio Pinheiro questiona o paradeiro do corpo da mãe (Foto: Paulo Rossi - DP)

Antônio Pinheiro questiona o paradeiro do corpo da mãe (Foto: Paulo Rossi - DP)

O investigador criminal Antônio Pinheiro foi surpreendido ao visitar o túmulo da mãe Alfíbia Pinheiro, no cemitério da Boa Vista. O espaço é destinado ao sepultamento social. Depois de levar flores ao local onde ela deveria estar enterrada, descobriu que os restos mortais da mãe não estavam mais lá.

"Na hora eu não acreditei. Passei vários dias em choque", relata Pinheiro. Na ocasião, ele estava acompanhado da irmã, que mora em outro estado e veio visitar os familiares. Aproveitaram a oportunidade para prestar a homenagem - ou ao menos tentar. Eles só ficaram cientes do fato porque tentaram comprar um jazigo permanente para deslocar o corpo. Isto é necessário porque no sepultamento social há um prazo determinado para a permanência do cadáver.

O que eles não sabiam é que este prazo já havia expirado. De acordo com o município, a lei determina que o corpo fique enterrado por pelo menos três anos. Passado esse tempo, está autorizada a exumação. No caso de Alfíbia, o procedimento ocorreu exatos três anos e um mês após o falecimento. "Ninguém entrou em contato comigo para avisar da exumação", garante o investigador criminal.

Depois de exumados, os corpos vão para um ossário localizado junto ao cemitério. Os restos mortais são lacrados e identificados, ficando à disposição dos familiares. Segundo Antônio Pinheiro, ele questionou aos responsáveis o paradeiro do corpo da mãe, mas a administração do cemitério não soube responder. Algumas semanas depois, a ossada foi identificada. "Como eu vou saber se é mesmo dela?", pergunta. Para resolver a questão e ter a certeza de que a ossada é realmente de sua mãe, Pinheiro decidiu acionar judicialmente o município.

Procedimento padrão

O secretário de Serviços Urbanos, Jeferson Dutra, explica que o número de túmulos é limitado e, por isso, a exumação é necessária. "O procedimento depende da demanda", fala. Em relação ao contato com a família, ele afirma que isso nem sempre é feito. "Os dados mudam, é difícil conseguir falar com os familiares", pondera. Apesar disso, garante que o corpo fica no ossário e pode ser retirado pelos parentes ou amigos próximos.

Recentemente, uma medida foi adotada pelo Departamento de Regulação de Óbitos para que essa dinâmica fique mais clara aos beneficiários. De acordo com o chefe do local, Pedro Maich, a pessoa responsável pelo enterro assina um documento dizendo estar ciente do tempo limite de três anos e da exumação.


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