Produção

Ágape recebe exposição "Do sonho e do pesadelo"

Criações de Théo Gomes e Rafael Drum dialogam com as estéticas do belo e do grotesco

13 de Março de 2018 - 12h21 Corrigir A + A -
Artistas apresentam obras de pintura e desenho no Ágape  (Foto: Paulo Rossi - DP)

Artistas apresentam obras de pintura e desenho no Ágape (Foto: Paulo Rossi - DP)

Dois universos opostos que encontram seu equilíbrio. Poderia ser uma incursão entre o céu e o inferno, bem versus mal, mas os artistas visuais Théo Gomes e Rafael Drum apresentam um caminhar pela arte Do sonho e do pesadelo em exposição que permanece até o dia 31 deste mês no Ágape

O primeiro impacto, logo na entrada, são com os monstros do mineiro Rafael Drum. Em sua opinião, as criaturas disformes, em um primeiro momento, assustam, uma vez que desestabilizam a posição do espectador acostumado com a harmonia dos elementos em tela. “É o monstro que surge do corpo”, revela.

Assim como a maior parte das pessoas, Rafael começou na arte tendo como referência os movimentos artísticos que adotam a figura humana idealizada. Trabalhou a partir deste modelo, mas chegou um momento em que, segundo ele, a produção ficou estagnada.

A solução foi deformar suas criações. Descobriu o grotesco como categoria estética, dialogando com o imaginário e o antiacadêmico. O artista sabe que a arte a serviço do belo é mais lucrativa. Ainda assim, assume o risco. O resultado apresentado na galeria revela a evolução do seu trabalho em pesquisa e prática poética. “Está representado aqui um pouco do que eu vivo”, avalia.

Frequente nos trabalhos encontra-se a presença da morte, referência que vem das vanitas (trabalho artístico com origem no século 16 que reproduzia arranjos de natureza morta com a presença de um crânio) e também da sua experiência como músico, visto que a caveira é uma iconografia das bandas de rock pesado.

Enquanto suporte para as suas criaturas, utiliza tanto a tradição secular da tinta a óleo quanto a relativamente moderna tinta spray. A prática pictórica de Rafael, formado em Artes Visuais pela UFPel, deu origem a 14 obras, a maior parte delas desenvolvida especialmente para a exposição.

Natureza pulsante
Em uma atmosfera que permeia o onírico e o real, o bageense Théo Gomes oferece trabalhos inspirados, principalmente, nas memórias do seu cotidiano. Uma obra que sintetiza esse conceito chama-se Noites como essa, a qual produziu a partir de sobreposições de fatos que ocorreram com ele durante o período de um mês. “São fragmentos de memórias que vão se encaixando”, define.

As pinturas e os desenhos do artista costumam trazer muitas informações e, inclusive, uma certa psicodelia visual. Esse conjunto confuso de elementos povoa as obras como uma erva daninha, apossando-se da superfície através de arabescos em preto e branco. Segundo Théo, não há um rascunho. É tudo feito no instinto, deixando-se levar pelo grafismo. Essa estética configura-se como uma marca do seu trabalho, a identidade do artista.

Théo trouxe para o Ágape 12 pinturas e dois objetos, selecionados na intenção de combinar com o tema. Estes adotam as técnicas de nanquim, aquarela, grafite e giz pastel seco e oleoso. No dia 22 deste mês, às 18h30min, ambos os artistas participam de uma conversa com o público. A montagem conta com apoio da Habitare Empreendimentos, dentro do projeto Padrinhos das Artes.

O quê: exposição Do sonho e do pesadelo, de Théo Gomes e Rafael Drum

Quando:  até o dia 31 deste mês, de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 19h; sábados das 12h30min às 18h30min

Onde:  Ágape, rua Padre Anchieta, 4480

Entrada franca


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