Navegação

Quando um barco vira lar e embala sonhos

Adriano Plotzki e Aline Sena, do canal #Sal, começam o roteiro da costa brasileira pelo Rio Grande do Sul

13 de Março de 2018 - 09h48 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Novo veleiro, Balanço, foi adquirido no próprio Rio Grande Yacht Club (Foto: Paulo Rossi - DP)

Novo veleiro, Balanço, foi adquirido no próprio Rio Grande Yacht Club (Foto: Paulo Rossi - DP)

Casal criou o canal #Sal há quatro anos e hoje conta com quase 22 mil seguidores (Foto: Paulo Rossi - DP)

Casal criou o canal #Sal há quatro anos e hoje conta com quase 22 mil seguidores (Foto: Paulo Rossi - DP)

Conhecer os segredos do barco, realizar cursos e ter noções de mecânica são medidas que ajudam a evitar dores de cabeça (Foto: Paulo Rossi - DP)

Conhecer os segredos do barco, realizar cursos e ter noções de mecânica são medidas que ajudam a evitar dores de cabeça (Foto: Paulo Rossi - DP)

Foi em águas rio-grandinas que o velejador e idealizador do maior canal de náutica do Brasil - Hashtag Sal - veio buscar a nova casa. Sim, e foi neste cenário, a bordo de Balanço - um Velamar 34 -, que o Diário Popular conversou com Adriano Plotzki e Aline Sena, atracados no Rio Grande Yacht Club. Em um bate-papo descontraído, o casal contou como foi carregado para o universo encantador da vela e como viu o canal no Youtube, criado há quatro anos, atingir o patamar de 1,5 milhão de minutos assistidos por mês.

Em uma roda de chimarrão, o gaúcho de Bagé, de 38 anos, falou com entusiasmo no novo desafio: cumprir um roteiro pela costa brasileira. E a largada começa por aqui. Pela Lagoa dos Patos. Porto Alegre, Tapes, São Lourenço do Sul, Pelotas... são apenas algumas das muitas paradas daqui para frente. Muitas descobertas, movidas pelo mesmo compromisso: pelo menos uma vez por semana, às terças-feiras, postar um novo vídeo aos quase 22 mil seguidores de #Sal.

>>> Conheça o canal #Sal

"Queremos contar a história de velejadores comuns. De heróis possíveis da vela", enfatiza Plotzki. E assim tem sido. Só no píer, em Paraty, no Rio de Janeiro, o casal já conheceu cinco famílias que tomaram a decisão de viver embarcados, depois de conhecerem as muitas experiências apresentadas pelo canal. E o mito de que para estar sob o comando da vela, primeiro, é necessário se tornar rico, aos poucos é derrubado. Na bagagem é preciso, sim, um tanto de desprendimento - ensinam.

E lembram: mais do que instigar os seguidores a largar tudo para viver em um barco, #Sal acaba por lançar provocações, através da voz dos muitos entrevistados... Não é possível ganhar um pouco menos de dinheiro e deixar de trabalhar aos sábados? Não é possível abandonar o banco do carro e pedalar um pouco? Não é possível gastar menos em roupas e calçados caros e fincar um pouco mais os pés, literalmente, no chão? Basta romper padrões...

E para viver fora desta ordem, previamente estabelecida, daquilo que esperam de nós, não raro teremos que emitir uma única palavra: não. "É a coragem para um não", destaca Aline, que se encarrega de vídeos mais lúdicos. Mais didáticos, com uma série de dicas para os apaixonados por navegação.

Da produtora bem sucedida para os documentários a bordo
Adriano Plotzki e Aline Sena se conheceram em São Paulo. Eram colegas de trabalho no SBT. Ela, editora; ele, sonoplasta. Em 2002, começava o namoro, que se converteria também em parceria para uma produtora de vídeo e cinema. E foi, justamente, ao produzir material para uma multinacional alemã - sobre home office - que iniciava o sonho. Sem que soubessem.

A ideia de comprar uma chácara era substituída... Logo, veio o primeiro barco: Sputnik, em 2011, e as muitas horas de lazer na represa de Guarapiranga. Na sequência, veio o veleiro-lar Brutus, que já foi, inclusive, atingido por um raio em Ilha Grande, no Rio de Janeiro. E não é história de velejador. É real.

Agora, Plotzki e Aline se preparam para as aventuras a bordo da terceira embarcação: Balanço, que até então pertencia ao comodoro do Yacht Club, o médico Paulo César Gonçalves, o Pileca. E, para que atenda às necessidades dos idealizadores de #Sal, em seguida o barco ganhará placa solar, para ajudar a manter os equipamentos de gravação e edição com bateria. Sem falar em uma churrasqueira, claro - brincam.

- Não esqueça
Não basta ter entusiasmo para navegar. Noções de mecânica e segredos sobre o funcionamento do barco são fundamentais para evitar dores de cabeça. Cartas náuticas e dados da previsão do tempo também não podem faltar na mochila. De resto, entre outras maravilhas, está apreciar a forte ligação que se estabelece com a natureza - garante a dupla. 

- Saiba também
Pisar em solo rio-grandino é como receber em mãos um convite para voltar ao passado. Quando guri, o bageense frequentava a praia do Cassino com a família, que até hoje mantém raízes pelas terras da Noiva do Mar. E estar em busca de pautas por aqui, para transformá-las em documentários ao canal, tem sabor de infância. Foi ali, nos molhes, acomodado em uma das vagonetas, que o Adriano criança descobria um primeiro veículo a vela. Nem desconfiava que começava, ali, uma paixão.

Prestigie!
* Adriano Plotzki e Aline Sena participam de um bate-papo nesta terça-feira (13), a partir das 19h, no Rio Grande Yacht Club. Os interessados devem fazer inscrição e doar um quilo de alimento não perecível. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (53) 3231-6908, 3231-9361 e 98402-9797.

* Assista ao #Sal. Atualmente, o canal tem cerca de 380 apoiadores, que os incentivam através de financiamento coletivo para que possam apresentar histórias, aventuras e informações do universo da vela. E entre as tantas curiosidades que os dois devem trazer das águas gaúchas, uma soa como sinal de que passarão bons tempos por aqui. Ao conhecerem Balanço, a nova embarcação, surpreendem-se ao olhar para o veleiro ao lado: Brutu´s, o nome da antiga "casa".

 


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