Mudança

Queda de braço no setor lácteo

Suspensão da importação do leite uruguaio, anunciada pelo Brasil, pode amenizar crise entre produtores

12 de Outubro de 2017 - 14h00 Corrigir A + A -
A medida não resolve totalmente os problemas do setor (Foto: Paulo Rossi - DP)

A medida não resolve totalmente os problemas do setor (Foto: Paulo Rossi - DP)

O governo federal decidiu na última terça-feira suspender a importação de leite do Uruguai. Trata-se de antiga reivindicação de produtores brasileiros que sofrem com concorrência desleal em relação aos preços cobrados pelo país vizinho para o produto. A decisão, em parte, pode amenizar a crise do setor laticinista nacional.

O anúncio foi feito após reunião, em Brasília, entre produtores e o secretário executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki. De acordo com a Organização dos Cooperativas do Brasil (OCB), o país foi destino de 86% da produção de leite em pó uruguaio desnatado e 72% do integral. Nos primeiros seis meses de 2017 já foram importadas 41.811 toneladas do produto oriundo daquele país.

O número elevado levou os trabalhadores do setor a alegar que o Uruguai estaria exportando leite não produzido no país. Por conta disso, a suspensão valerá até que seja concluída a rastreabilidade do produto e que seja comprovado que 100% do volume enviado pelo país vizinho é de fato oriundo de lá.

Em entrevista ao Diário Popular, o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), Alexandre Guerra, criticou a ausência de uma cota de importação de leite para o Uruguai. Em relação ao produto vindo da Argentina, por exemplo, existe um limite de seis toneladas. “Essa grande quantidade acaba criando uma concorrência desleal”, comenta. “O leite em pó uruguaio custa R$ 10,50 o quilo, enquanto o nacional sai por R$ 15,00”, exemplifica.

Consumo em queda
A dura situação do setor laticinista se estende ano após ano. De 2015 para 2016, o consumo de leite e derivados caiu cerca de 25% no Brasil, atingindo o menor índice per capita desde 2001 - de 44 litros mensais, passou para 40. Somada ao aumento na importação, a questão resultou em enfraquecimento de cooperativas, como a Sul-Riograndense de Laticínios (Cosulati) e, consequentemente, em desemprego.

O produtor Elton Butierres, também presidente da Associação de Criadores do Gado Jersey, acrescenta outro fator agravante à crise: a carga tributária. Segundo ele, a redução de impostos não acompanhou a diminuição mundial do preço do leite. “Qualquer produto em outros lugares custa menos. Pêssego, arroz, os outros países já se antenaram a isso e aumentaram a exportação para o Brasil”, comenta.

Diante dos fatos, Butierres acredita que a medida do governo federal não deve solucionar por completo a situação do setor laticinista nacional. “Melhora porque diminui a oferta de produto interno, mas é cortina de fumaça”, conclui.


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