Crise

Escola Padre Anchieta corre risco de fechamento

Instituição estadual, que funciona há 63 anos junto ao Instituto de Menores, poderá fechar as portas; funcionários, pais e alunos realizaram ato em defesa da escola nesta quarta-feira

11 de Outubro de 2017 - 21h37 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Funcionários, pais e alunos realizaram ato em defesa da instituição nesta quarta-feira (Foto: Gabriel Huth - DP)

Funcionários, pais e alunos realizaram ato em defesa da instituição nesta quarta-feira (Foto: Gabriel Huth - DP)

A Escola Estadual Padre Anchieta, com 63 anos de história, corre o risco de interromper as atividades. Nesta quarta-feira (11), professores, funcionários, pais e alunos realizaram ato em defesa da instituição, que sempre funcionou junto ao Instituto de Menores, no bairro Areal, em Pelotas. Problemas estruturais em parte do prédio associados à intenção da Mitra Diocesana - proprietária do imóvel - em desenvolver outros projetos no local estariam por trás da decisão.

O titular da 5ª Coordenadoria Regional de Educação (5ª CRE), Carlos Humberto Vieira, garante que o Estado não tem interesse em fechar a escola, mas adianta que se a situação não for revertida, o governo não irá em busca de outro endereço para instalar a Padre Anchieta. "Não existe um outro prédio, para contemplar aquela comunidade, que atenda a toda a legislação exigida pelo Conselho de Educação, que é um órgão normativo e fiscalizador", argumenta.

Uma avaliação técnica já foi solicitada pela 5ª CRE à Secretaria de Obras para verificar as condições de segurança, que apontariam se é possível as aulas permanecerem no local até o final deste ano letivo. Em princípio, sim. Quanto ao futuro, em 2018, o momento é cercado de dúvidas.

Se a Escola Padre Anchieta fechar as portas, professores, funcionários e os cerca de 150 alunos serão remanejados a outras instituições estaduais do bairro, como a Escola Areal e a Professora Lélia Olmos. As Salas de Recursos seriam transferidas, exatamente, para o mesmo local dos estudantes que dependem do atendimento especial - explica o coordenador Carlos Vieira. "Será a alternativa que teremos em se confirmando essa posição da Mitra em não alugar mais o prédio para o Estado.".

Sem contrato
Desde o começo deste ano, o Governo do Estado interrompeu o pagamento do aluguel, por falta de um contrato formalmente renovado. A dívida, entretanto, será quitada mesmo que a instituição tenha de deixar o local - assegura o titular da 5ª CRE.

A voz da comunidade escolar
- Risco de evasão: a professora de Educação Física, Vera Fernandes, conversa com o Diário Popular sobre os 12 anos de atuação junto à Padre Anchieta e admite uma das principais preocupações: "Muitos dos nossos alunos, se não estiverem aqui, vão evadir". E, como argumento à declaração, Vera destaca o trabalho historicamente desenvolvido em parceria com o Instituto de Menores, que garante aos alunos permanecerem em tempo integral na instituição; um turno em sala de aula e, no outro, envolvidos em atividades complementares e oficinas. "Não é só fechar uma escola. Significa interromper este trabalho, inclusive, social que temos com as famílias."

- Um apelo: bandeiras do Cpers-Sindicato somaram-se a cartazes e faixas em tom de desabafo: Respeito aos 63 anos de história e Queremos nossa escola. A mãe dos gêmeos Cássio e Arthur, Elizângela Silveira Costa, 42, fez questão de participar do manifesto. E, emocionada, justificou o porquê: "Os meus filhos são autistas e nesses dois anos que estão aqui, sentimos um acolhimento. A gente é mãe e sabe quando existe um carinho especial".

- Passado e futuro: Núbia Rodrigues Farias, 30, não reforça o coro pela manutenção das atividades apenas em nome dos pais de alunos. Ao ver a filha Samanta, de dez anos de idade, ocupar uma das cadeiras do 4º Ano, Núbia vê a história se repetir: "Eu me criei aqui. Também estudei no Padre Anchieta a vida toda e, agora, acompanho minha filha. Ela também aprendeu a ler aqui", orgulha-se.

Contraponto
O Diário Popular tentou contato, durante toda a tarde, com o padre Marcos Bicalho, indicado para se pronunciar em nome da Mitra Diocesana de Pelotas, mas ficou sem retorno.

Relembre
Em 2016, o mesmo tipo de impasse gerou o fechamento da Escola Estadual Sagrado Coração de Jesus, em Pelotas. Com a solicitação para a instituição deixar o prédio - alugado - que ocupava, a decisão também foi de remanejo dos cerca de 90 alunos.


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