Telefonia

Chega ao fim a gratuidade dos orelhões

Rio Grande do Sul deixou de ser contemplado pelo serviço e operadora Oi está liberada para cobrar as ligações dos TUPs

11 de Outubro de 2017 - 10h30 Corrigir A + A -
Pelotas tem 1,3 mil aparelhos (Foto: Paulo Rossi - DP)

Pelotas tem 1,3 mil aparelhos (Foto: Paulo Rossi - DP)

Desde o início do mês, aqueles que faziam uso dos orelhões em Pelotas de forma gratuita terão uma nova necessidade. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou que o Rio Grande do Sul deixou de ser um dos estados contemplados com gratuidade nas ligações. Agora, a tarefa para quem ainda precisa do orelhão é encontrar cartões de crédito em Pelotas para efetuar as chamadas.

A operadora deixou de cumprir a meta da Anatel de disponibilidade mínima de 90% no Estado em 2015. Como punição, as ligações interurbanas para fixos se tornaram gratuitas. Em 2016, as chamadas locais para celulares também deixaram de ser cobradas. Segundo a assessoria de comunicação da agência, o motivo da retirada do Rio Grande do Sul desta condição decorre do fato de a empresa ter apresentado melhora suficiente na disponibilidade, passando de 77% para 92% na última aferição, em agosto.

De acordo com dados da agência, são 1,3 mil orelhões espalhados pelo município. Destes, 41 são adaptados para cadeirantes e 16 a pessoas com deficiência auditiva ou de fala. A telefonia móvel fez com que a maioria dos orelhões, oficialmente denominados Telefones de Uso Público (TUPs), caísse no desuso. Evidência disso é que até o final de 2017 o Brasil terá um smartphone por habitante, conforme a 28ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, levantamento da Fundação Getúlio Vargas. Hoje, o país contabiliza 198 milhões de celulares em uso. Substituídos pelo aparelho, muitos orelhões sofrem com depredação e vandalismos.

O Diário Popular foi ao calçadão da cidade - local em que a concentração de orelhões é grande - para testar o funcionamento. A maioria apresenta boa aparência. No entanto, entre a rua Voluntários da Pátria e a Floriano, de seis testados, apenas dois realizavam chamadas. O restante das unidades estava em manutenção.
A peregrinação em busca de um aparelho que funcionasse foi feita recentemente por Elizabeth Dornelles, 48, atendente de uma revistaria do Calçadão. Onde mora, na avenida Duque de Caxias, “todos estão sem serviço”, diz. Quando precisa, utiliza o que fica próximo do estabelecimento. Ela trabalha no local uma vez por semana e, nestes dias, sempre atende alguém que procura comprar o cartão. “Muita gente vem procurar. De todas as idades. Até me surpreendi, já que a gurizada usa mais o celular”, conta. A revistaria não vende; nem a loja da operadora Oi em frente dali, que não sabia informar onde comprá-los.

A equipe do DP não precisou esperar muito para encontrar um usuário do aparelho no mesmo ponto. Patrick Silveira, 19, se aproximou dos orelhões e testou um deles; em manutenção. Testou outro, que funcionou, e discou o número de casa. Depois, contou à reportagem que tinha deixado o celular carregando e tentava entrar em contato com a família por ligação a cobrar. O telefone público é a alternativa encontrada pelo estudante em ocasiões como esta. Por isso, já tentou comprar um cartão. “Não se acha em lugar nenhum”, afirma. O site da operadora Oi disponibiliza uma ferramenta que indica os pontos de venda do cartão - disponibilizaria, se não estivesse fora de serviço.

Outros 15 estados, como Santa Catarina e Pará, continuam com a gratuidade. A Anatel informa que a condição será mantida até o dia 30 de março de 2018, em que deverá ser divulgado o resultado da próxima aferição das condições de disponibilidade.

Como ligar
> Chamadas locais a cobrar
9090 + número do telefone

> Chamadas DDD a cobrar
9031 + código cidade + número do telefone

> Chamadas DDD
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00 + 31 + código do país + código cidade + número do telefone


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